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Foi construído em três anos, de 1958 a 19ó1,
com projecto do Arquitecto Rodrigues Lima, no local onde existia o
modelar Mercado do Peixe, que vinha já desde 1874 e que se viu nos
últimos três anos de vida transformado em mercado geral, por
transferência das vendedeiras do Mercado do Anjo.
A entrada fica ao nível do 4.º piso do
edifício, porque os inferiores dão para as traseiras, tal o declive,
aliás, já existente em "vida" do Mercado do Peixe. Como é habitual ca
por esta cidade, quando se pensou num Palácio de Justiça era para aqui
reunir todos os tribunais, dispersos por vários edifícios da cidade. Mas
quando este se inaugurou verificou-se não chegar para as encomendas.
E já que falamos de encomendas, um facto há
a realçar na construção deste Palácio da Justiça: a encomenda de
estátuas, frescos e outras obras a artistas portugueses, sob temas
nacionais. Na frontaria temos a estátua de bronze de uma jovem
"Justiça", sem a tradicional venda nos olhos, de Simões de Almeida. Na
entrada, a deixar jorrar a luz do Sol, está uma espécie de painel de
fundo em vidro, tendo no centro o brasão da cidade e à sua volta os
escudos de vários concelhos e distritos do Norte do Pais. As estatuas no
átrio e as pinturas junto dos elevadores de cada pavimento são, como e
lógico, fáceis de apreciar. Quanto aos trabalhos que estão nas salas de
audiências ou nas de espera dos magistrados, só por acaso ou por
amabilidade de algum funcionário e que se podem admirar, o que é pena.
Resolver-se-ia o caso marcando eventuais visitas para um horário que não
causasse transtorno aos trabalhos dos tribunais.
De referir, entre tantos, os dois grandiosos
painéis a fresco, pintados por Martins Barata, no Salão de Audiências
ou Salão Nobre da Relação, como também é chamado. Representam o
"Casamento de D. João I" e "A Expedição a Ceuta". Este ultimo tem para
Os portuenses o pormenor da sua identidade: a um canto do painel dois
homens do povo tiram as miudezas a uma vitela, na areia dos estaleiros,
perto das naus em acabamento. A carne seguiu, mas os miúdos e as tripas
ficaram e deram as gentes desta mui nobre, sempre leal e invicta cidade
o elogioso epíteto de "Tripeiros", de que os de Miragaia, como todo o
Porto, muito se orgulham. |