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Equipamentos - Museu Soares dos Reis


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Museu Soares Reis

Em 11 de Abril de 1833, foi ordenado ao pintor João Baptista Ribeiro que examinasse o recheio dos conventos abandonados e casas miguelistas sequestradas e disso infor­masse D. Pedro IV, que pretendia criar no Porto um museu de estampas com base na colecção da Academia Real de Marinha e Comercio. Infelizmente, o artista, porque era pin­tor, só à pintura votaria o seu interesse (ou conhecimentos), perdendo-se muito em obras de valor das outras artes. Foi com a colecção recolhida numa ala do Convento de Santo António da Cidade, depois de legalizado por Passos Manuel, que o Museu abriu ao publico em 184o. Em 1911, é nomi­nalmente intitulado Museu Nacional de Soares dos Reis e posteriormente transferido para o Palacete dos Carrancas onde ainda hoje se encontra.

Nunca chegou a saber-se (e se calhar agora também já não é altura para isso!) se o nome provem do facto do 1.º Barão de Nevogilde, o industrial Manuel Mendes Morais, e o seu irmão Isidoro terem vivido na Rua dos Carrancas (hoje Alberto Aires de Gouveia). Judeus normalmente mal encara­dos, a rua terá ganho o apelido por que aqueles moradores vieram a ficar conhecidos? Em 1795, mandaram construir na Rua dos Quartéis (antigo caminho velho para Matosinhos e hoje Rua de D. Manuel II) um extraordinário palacete - para onde chegaram a transferir a sua opulenta fabrica de fitas e galões de ouro  que passou a ser conhecido como o Palácio dos Carrancas, ainda que oficialmente fosse o Palácio dos Morais e Castro.

Em 1861, D. Carlota Rita Morais e Castro, a ultima Baro­nesa de Nevogilde (morreu sem descendência), vendeu o Palácio à Casa de Bragança. D. Manuel II, o ultimo monarca português a reinar, aquando do seu exílio forçado pela implantação da Republica, ofereceu-o à Santa Casa da Miseri­córdia do Porto, que, em 1937, o cedeu ao Estado para nele se instalar o Museu Nacional de Soares dos Reis.

Durante as invasões francesas o Palácio serviu de quar­tel-general a Soult, depois a Wellington e a Wellesley. Mais tarde, aquando do cerco do Porto, aí se instalou, como atras já referimos, D. Pedro IV, até ser obrigado a retirar por força do canhoneio miguelista.

O edifício e em granito, com bonitas varandas de ferro, tem uma frontaria que engana o transeunte desprevenido, já que visto de frente aparenta um andar e, lateralmente, vêem-se três. Este curioso efeito e obtido especialmente pelas janelas do rés-do-chão que iluminam as salas do 1.º andar, que, na frontaria, não se nota que existe. o 3.º andar também só tem janelas laterais.

Extraordinárias obras compõem o seu recheio; delas destacarmos "Desterrado", escultura de Soares dos Reis, e as telas de Gouvea Portuense, Malhoa e Pousao. Pena é que os belos jardins deste museu não estejam ainda a ser conve­nientemente aproveitados, mas esperamos que tal facto venha a ser rapidamente remediado e que sejam devolvidos à freguesia e à cidade estes seus jardins.

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