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Hospital Santo Antonio

Na verdade, a sede da Santa Casa da Misericórdia do Porto não fica nesta freguesia, mas não podemos ignorar que este Hospital é um dos frutos da sua actividade. D. Manuel I, em carta de Marco de 1499, recomendava à cida­de do Porto a instituição da Irmandade da Misericórdia, mas só três anos depois, numa capela da Sé, erigiram os por­tuenses a Confraria da Santa Casa da Misericórdia. É só em 1521, por ordem régia, é que esta toma conta de três hospitais-albergarias cá no Porto existentes: o de Rocamador, nos Caldeireiros; o de Santa Clara, nos Mercadores, e o do Santo Ildefonso, junto à porta da Batalha.

Em 29 de Junho de 1584, morre em Madrid, para onde tinha ido, acompanhando o Rei Filipe, de Espanha, o riquíssimo padre P. Lopo de Almeida, legando os seus bens à Misericórdia do Porto, com três simples clausulas: a da Misericórdia, que em curto espaço de tempo devia levantar herança; a de tratar de doentes pobres; e a de construir na sua Igreja a Capela do SS. Sacramento (e a actual capela-mor da Igreja da Misericórdia).

O velho hospital de Rocamador, em breve ampliado e melhorado, toma o nome de D. Lopo e, durante o século XVII serviu as necessidades do burgo. Mas a cidade aumentou e o serviço começava a falhar. Era preciso um novo Hospital. Por influencia do cônsul britânico John Whitehead, amigo pessoal do Corregedor Almada, e incumbido o arquitecto John Carr de York, de traçar a planta para o Hospital do Porto.

Claro que a construção projectada era para se processar em tijolo, ao estilo britânico, mas cá no Porto é em granito (que se idealizam as construções. Contra tudo o que seria aconselhável, a primeira pedra de granito é lançado em 1 de Julho de 1770 e nove anos depois o Hospital recebe os primeiros doentes. Na verdade, só agora os trabalhos da ultima ala e a conclusão do Hospital entram em vias de aca­bamento. Aceitamos a modernidade, aceitamos a inovação, mas não aceitamos que a parte nova, nas traseiras, acabe por ser mais alta que a frontaria, ainda que construída em terreno em plano inferior. Resultado: sobrepujando o granito do século XVIII surge o betão do nosso século.

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