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Já Henrique
Duarte de Sousa e Reis se lhe refere, escrevendo nos seus
Apontamentos: "Esta capelinha foi erigida para veneração de N. Sr.ª.
da Conceição sob a invocação de Nossa Senhora da Esperança, que deve o
seu nome à ladeira que da mesma porta sai para o Bairro de Monchique:
porém, como se demolisse a muralha nesse sítio, numa torre da
fortificação se cavou o oratório ou ermidinha para colocar com decência
a mesma imagem venerada pelos moradores mais próximos.
Na frontaria
desta capela são inequívocos os sinais de esta pertencer a gente do mar
ou do rio, e tem a curiosidade (é a única neste género existente no
Porto) de ser mais larga que comprida. Esta desafecta ao culto, e serve
só para dar lugar aos corpos das gentes que, morrendo nas redondezas, aí
são chorados, até seguirem para o cemitério. A Irmandade de Nossa
Senhora da Esperança é quem cuida de manter a sua capelinha em perfeito
estado de conservação e limpeza, ainda que só para esse fim.
Paralelamente, organizam festas em honra de Nossa Senhora da Esperança e
de S. João.
Tinha apenas
uma riqueza: um magnifico ex-voto, com a legenda "Milagre que fez Nossa
Senhora da Esperança a J. C. Biaia, mestre do iate Hércules, vindo de S.
Johnes para Londres, vendo-se em perigo no dia 13 de Novembro de 1858.
Foi emprestado para uma exposição nacional no Museu da Marinha, em
Lisboa. Sabe-se que veio de lá... mas não voltou a entrar na capela. É
caso para dizer: avisa-se o seu ilegítimo possuidor que fica sujeito a
ser, em qualquer altura, demandado a devolvê-lo aos seus mais que
legítimos proprietários. E se, eventualmente, algum leitor o vir, é
favor contactar com a irmandade, porque a Esperança vai em peso
busca-lo, esteja onde estiver. |